31/10/11

Teaser / Trailer do Curta NOVE E MEIA

Enquanto o filme completo nao chega, estreia hoje na web uma montagem que serve como prenuncio da tempestade "Nove e Meia". Gravado neste mes de outubro em Porto Alegre, o filme esta na ilha de edicao, ganhando seu ritmo. O curta conta a historia de um pai dilacerado pela dor da perda e obcecado pelo pequenino relogio que parou na hora do sinistro. Confira, comente, compartilhe:

28/10/11

NOVE E MEIA - 1ª DIÁRIA/TARDE e NOITE – “Uma busca por vingança"






Embora ainda tivéssemos uma cena e uma sequência inteira do curta-metragem Nove e Meia para filmar ainda na 1ª diária, a tarde de sábado seguiu sem atropelos. Entre o término da cena no Fórum Central, um almoço bacanão no Partenon Grill e a chegada à uma das principais locações do filme, trocamos quase o elenco todo pela companhia da Tati e da Desirée, nossas assistentes de produção, que nos dariam um auxílio inestimável na logística do projeto, ao lado da Fabi e da 1ª dama do filme Rose.

A tarde de sábado se resumiu exatamente ao título proposto para esta narrativa: uma busca. No local que selou o destino do nosso protagonista, Rafael Tombini espreita. Com um olho no relógio e o outro na avenida, o Homem busca ansioso pelo objeto de sua vingança. Os minutos lhe parecem horas e estas tornam-se dias, enquanto a câmera dança no steady e a tudo captura. Atrás dela, uma galera observa atenta o monitor e a atuação "multifeições" do Rafa; variações pedidas por um diretor alucinado, com mil e duas idéias e opções de montagem do material ("posso montar uns cinco filmes com cinco protagonistas diferentes" foi uma das frases que escutei do Filipe Ferreira neste dia). Promissor, hein?

Enquanto o Rafael mancava de um lado para o outro, Filipe "Babys" König e Álvaro Zandoná aproveitavam um momento de folga para simular um "pardal" com o boom e fazer os carros da Loureiro da Silva diminuírem a velocidade para não levarem uma multa. É impressionante que, mesmo sem uniforme e com aquela cara de cidadão respeitável do Babys, os veículos realmente reduziam. Quem tem * tem medo, já dizia o poeta.

Nesta locação, tivemos também o primeiro contato com o platô na Câmara Municipal de Porto Alegre, mais precisamente com o camarim do Teatro Glênio Peres (que a Denise e as arteiras adoraram), que nos foi cedido com toda a infraestrutura pela Casa, intermediado pelo coordenador do teatro, Rafael Baião (do qual falarei mais em texto futuro), que acompanhou de perto as filmagens. Neste camarim, aproveitamos para aprontar o Rafael tanto para a sequência da busca, quanto para a cena seguinte (na qual dividiria a tela com Hérlon Höltz, o primeiro ator de verdade a trabalhar em um curta-metragem da Arquivo Morto, o longínquo e lendário João Ninguém).






E lá vamos nós para a famigerada escadaria da João Manoel, um local tão emblemático que desbancou uma locação concorrente assim que batemos os olhos nele. Encrustada em um lugar escondido no coração de Porto Alegre, a escadaria - por si só - renderia um curta só dela. Um ambiente belo e canhestro ao mesmo tempo, que espelha em sua arquitetura o requinte de tempos antigos e denuncia, em suas pichações, a anarquia e a inquietação dos dias atuais. Tão ambígua quanto este local foi a cena rodada lá: após fazer uma encomenda (em uma cena a ser rodada no dia seguinte), nosso protagonista recebe seu instrumento de vingança de um taciturno Vlamir (Höltz), que alerta para o perigo iminente de lidar com armas de fogo (Moisés Fraga, nosso consultor, nos encontrou por lá para nos assessorar no assunto).



Tão rápido quanto podia ser a transação entre os personagens foram as filmagens neste local, já que a luz natural ia caindo vertiginosamente. No alto da escadaria, Steinmetz e Álvaro faziam a mão de barrar os cidadãos que queriam passar pelo set durante a cena (imagino que os dois fizeram o esquema de "tira bom, tira ruim"). Já na parte de baixo, contamos com o apoio do 9º Batalhão da Brigada Militar (que já havia nos auxiliado nas filmagens de Os Batedores), que teve a grata tarefa de espantar alguns desajustados que faziam questão de aparecer ao fundo.



Com quase duas horas de cronograma adiantado (milagre, milagre), findamos a primeira diária de Nove e Meia com aquela salva de palmas. Os remanescentes seguiram para a zona norte para degustar de uma deliciosa paella rancheira oferecida à equipe e elenco do filme pelo Leco Motta, gerente da Proloja e Chef nas horas vagas.



Uma excelente maneira de fechar uma diária, né não?

26/10/11

Finalizadas as Filmagens de "Nove e Meia"

Após dois longos finais de semana, com um cronograma justo e diversas locações situadas em Porto Alegre (Foro Central da Cidade, Assembléia Legislativa, Praça da Matriz, Zona Sul da cidade, Apartamento dos Zandoná, ruas e becos), foi encerrada neste domingo, dia 23.10, a captação do próximo filme da Arquivo Morto, Nove e Meia. O filme, baseado em um conto de Rubem Fonseca e adaptado por Édnei Pedroso conta a história de um pai de família que após um terrível acidente de trânsito tem sua vida destroçada pela perda e pela dor das sequelas. Revelar mais do que isso seria entregar alguns segredos da trama.


Com importantes apoios de logística e alimentação (veja a relação completa em www.noveemeia.com) e uma equipe recorrente da Arquivo Morto, muitos fãs do Rubão e do cinema do sangue, suor e lágrimas (bastante destes elementos dentro e fora das telas!) foi selada mais uma jornada de conhecimento, experimentação e companheirismo.


No elenco, o protagonista RAFAEL TOMBINI estraçalha como o protagonista, cheio de mágoas, dores, dúvidas e ódio. Seu nêmesis, LEONARDO MACHADO, apronta todas no trânsito da cidade. A ex-mulher, DANI FOGLIATTO, inconsolável em sua inestimável perda e o temeroso fora-da-lei HERLON HOLTZ supre o protagonista de suas ferramentas. Destaque total para a revelação do filme, a atriz GIOVANNA FERREIRA. Também no elenco EDUARDO STEINMETZ, MARCELLO CRAWSHAM, ALEXANDER KLEINE, LUÍSA HERTER e EDUARDO LANG.


Em breve mais novidades!

18/10/11

1ª e 2ª diárias de “Nove e Meia” – Versão do Produtor


Neste último dia 15, o curta-metragem Nove e Meia começou a sair do papel. Para alguns, é o início de um novo e interessante trabalho audiovisual; para outros, uma oportunidade de inebriar-se com o viciante “clima de set” que sempre se instaura em produções assim. Para este que vos escreve, é um misto dessas duas coisas com uma terceira: a realização de um sonho (há anos buscava adaptar o conto Nove Horas e Trinta Minutos – de Rubem Fonseca – e agora, graças ao esforço conjunto de um pessoal talentoso e esforçadíssimo, isso está sendo possível).


Bem, vamos ver como foram as coisas então neste primeiro fim de semana de filmagem.



1ª DIÁRIA – MANHÃ – “Uma busca por justiça”


8 da manhã de um sábado parcialmente ensolarado. Fórum Central de Porto Alegre. O esquema de transporte que montamos para levar a equipe e alguns atores do elenco funcionou tão bem que fiquei até surpreso com a pontualidade com que o pessoal ia chegando (meu parâmetro é sempre o trabalho anterior – no caso, Os Batedores – e quem acompanha a Arquivo Morto há um tempinho sabe que cumprir horários não foi um grande mérito naquela vez). Identificação na entrada, abertura da sala, paleteamento de equipamento (não, isso não é um esporte olímpico), a busca por um platô interessante (e disponível) e um coffee break regado a bolinhos (cedidos pela Tondo Alimentos) e sanduíches caseiros, enquanto o Filipe – Diretor – e seu fiel escudeiro Cristian planejavam os takes, Fernandinho – Diretor de Foto – e seu fiel escudeiro Jonas setavam as luzes e a Denise deixava o pessoal bonitão no make-up. Como ela não tinha um fiel escudeiro e eram seis atores e deixar o Edu Steinmetz bonito não é tarefa fácil, acabamos encontrando o primeiro e último gargalo da 1ª diária: o tempo necessário para maquiagem coletiva. Para a Denise, foi uma correria danada; para mim como produtor, foi um aprendizado para ajustar melhor os tempos na próxima vez.


Luzes, câmera e VALENDO! Em cena, Dani Fogliatto fulmina nosso (anti) herói Rafael Tombini com um olhar enlouquecido. Ele desvia, enquanto brinca com seu relógio de estimação. Em volta, Edu e Marcello Crawshaw – advogados de Dani e Rafa, respectivamente – trocam farpas em um texto totalmente improvisado (como o curta-metragem não possui diálogos, estes textos são utilizados para dar embasamento nas intenções visuais dos atores), enquanto Alex “Nicholas Marshall” Kleine tenta apaziguar a situação. Ao seu lado, Luísa Herter faz o registro da audiência enquanto embeleza a cena. Não demorou muito para que o circo pegasse fogo e os personagens começassem a se digladiar em cena, com acusações que fariam John Wilmot enrubescer (estava perambulando em uma zona de meretrício, Sra. Zanatta? Que coisa feia...). Em determinado momento, Henrique e eu saímos para comprar alguns itens faltantes de maquiagem (e um Engov, para ele) e, quando retornamos, dava para ouvir os gritos de fúria do casal lá do elevador.


Com um sistema de filmagem dinâmico e a competência dos atores (que nos isentaram de ter de repetir os takes over and over again), conseguimos – ainda pela manhã – ajustar um cronograma que, por si só, já era bastante puxado. O material bruto ficou intenso e a escolha de elenco mostrou-se acertada (se antes já achava a Dani interessante para o papel da mãe enraivecida, olhando agora tenho certeza de que não poderíamos ter encontrado atriz melhor para isso). A displicência do Rafa – inerente ao personagem – caiu como uma luva para subsidiar o ódio da mulher, e as interações dos outros atores em cena soaram muito orgânicas.


E, claro, tínhamos o relógio infantil, produzido pelas arteiras Fê e a Sheila, com contribuição do Rafa no visual final do objeto (sabe aquele sujeito que dá o sangue pelo trabalho? Pois é, digamos que o nosso ator leva isso bem a sério). Este pequeno relógio, que foi fruto de uma árdua pesquisa e procura das gurias e que foi uma epopéia para ser escolhido, acabou ficando muito, mas muito, mas muito perfeito em tela (confesso que fiquei reticente na 1ª vez que pus os olhos nele, no mostruário, mas mordi minha língua).


Para encerrar a manhã, tivemos uma breve cena nos corredores escuros do Fórum, com figurações do Herique e César (o gerente de operações da Lumiere) apostando nos cavalos, Babys e Sheila de fundo, e Luciana Espindola (responsável pelo Making Of) subindo uma rampa.


Ah, cheguei a citar que a Luciana também tem seus fiéis escudeiros? =P


A seguir: 1ª DIÁRIA – TARDE