14/02/12

Nove e Meia e a Carpintaria

Montar um filme é uma parte gratificante e prazeirosa de todo o processo mas, é claro, tem seus percalços. É quando o que você sonhava do resultado final conflita com o que você conseguiu captar através das lentes. Não raro um novo filme e um novo enredo se criam. Quando falamos em um curta mudo, como NOVE E MEIA, não há atenuantes e sim um novo filme a ser descoberto.

Começamos (eu, Édnei - acompanhando a cada nova cena montada - e eventuais platéias-teste) a montagem e finalizamos ainda em dezembro. Sempre com o "radical livre" da trilha sonora a ser considerado: ela é o narrador principal do filme mas ainda não sabemos sua forma exata. Porém, esta montagem não era o produto final. Ainda estávamos acorrentados à etapa de filmagem e precisávamos nos livrar dos estigmas: usar os momentos marcantes, usar a todo custo cenas que foram de difícil produção e ser muito didático na história a contar. Fiquei olhando para aquela montagem de cerca de 20 minutos de duração e repetindo: não é isso aí.

O ano virou. Em 2012 fui até a ilha de edição e apaguei os projetos. O tempo de desligamento já estava bom. Novas idéias. Esquecer um pouco a cara do material bruto. Recomeçar do zero. O personagem do "Homem" (Rafael Tombini) já é menos louco e mais determinado agora. Sua trajetória é mais crua. A didática vai desaparecendo e se sobrepõe às qualidades que veneramos nos filmes: um quebra-cabeças que só se encaixa nos últimos minutos. Agora o filme tem 15 minutos. Como diz Fernando Meirelles: quando se elimina a gordura, o que resta embaixo é músculo. Acho que esta idéia traduz o espírito.


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